Quando o ex-relator da ONU para o Direito à Alimentação Jean Ziegler, pôs a culpa nos biocombustíveis, que chamou de “um crime contra a Humanidade”, tinha um alvo certeiro: O Brasil. A declaração coincidia com o momento exato que o mundo voltava a atenção para o nosso país. Havia dois motivos para chamarmos a atenção, primeiro estava no auge a discussão sobre o aquecimento global e os biocombustíveis era um dos remédios do coquetel para combater esse mal, segundo, o governo brasileiro promovia uma cruzada pró-etanol tupiniquim.
A ONU frouxa, que não conseguiu salvar o Iraque do banho de sangue Ianque, a mando do seu patrão, USA, deixou escapar essa pérola. Claro que a ONU pediu desculpa. Mas era só uma “coreografia” bem dirigida. A acusação feita em público ganhou destaque imediato nos meios de comunicação, já a desculpa não teve a mesma repercussão.
Desse fato concluí-se que a ONU que foi o capacho americano na guerra fria, agora se torna seu cãozinho treinado para latir mais forte. Bastou o Brasil por cabeça de fora e veio a pancada. Mas faz parte do jogo.
O pivô dessa discussão é a crise mundial de alimentos. Entre os vários fatores como colheita ruim na Ásia, aumento do consumo mundial de alimentos está o etanol produzido pelos EUA a partir do milho. Ninguém diz, mas todos sabem. O Fidel disse bem antes de tudo isso acontecer, mas ele é o comunista pária do mundo. A produção do etanol americano é um crime. Além de consumir um alimento, o ciclo de produção produz mais poluição que o consumo da mesma quantidade de combustíveis fóssil e reduz a oferta de milho aos produtores de carne.
O que incomoda os Americanos em relação ao Brasil? Claro que nossa economia não faz nem cosquinha na economia deles, nossa tecnologia industrial também, não. Mas o nosso agronegócio (Agribusiness) dá um show no deles. Somos infinitamente melhores. E é isso que faz eles obrigarem a ONU ter seus arroubos de “humanidade”.
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