Marina Silva - um Brasileiro.
Hoje, os meios de comunicações nos darão uma “overdose” de informações sobre Marina Silva. Mulher, negra, evangélica, oriunda das classes populares, analfabeta até os dezesseis anos, defensora dos bagres e, pior, política . Ela é a soma de todos os pesadelos dos preconceituosos. A prova de que todos os preconceitos são estúpidos. Mas não é sobre nada disso que quero focar hoje. Quero falar apenas de uma das suas qualidades: ser Brasileiro. Isso mesmo, brasileiro com “o” no final, acima de gêneros sexuais.
Marina nos incomoda por que não precisamos dizer “Ministra” ou “Senadora”. Apenas “Marina” e sentimos a força da personalidade que emana desse vocábulo. Incomoda por que o silêncio de uma curta carta entregue por um acessor ao mandatário da nação no auge de sua popularidade é ensurdecedoramente barulhento. Não é um amigo e ministro do presidente que sai às carreiras sob o impacto do fogo da opinião pública. É uma mãe que se retira para não compactuar. Talvez o Lula terá que se esforçar mais para explicar a renúncia dela do que os mensalões e quebra de sigilos.
Marina incomoda por que é um herói que não tombou ao campo de batalha. Como as flores dos pântanos das florestas que ela conhece bem, emitiu o talo pra desabrochar bem acima da podridão da política nacional. Pode estar em contato com a lama, mas não se mistura e é capaz emitir seu perfume apesar do ar pestilento a sua volta.
Incomoda porque pode dar mais tônus a oposição que milhares de cartões corporativos.
Marina não precisa se explicar. Não precisa ir ao Senado. Marina não ameaça. Marina cede e quando o faz arrasta para si a vitória. Marina não se defende, mas o mundo inteiro a quer proteger. Marina vai, mas ninguém quer que ela saia.
Se o plano real tem duas mães pretensas, FHC e Itamar, que estão brigando pela maternidade como as protistutas do Rei Salomão e o PAC tem uma mãe por aclamação, nós, brasileiros, especialmente os brasileiros amazônicos, com a saída de Marina, nos sentimos órfãos.
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